Karl Marx




quinta-feira, 31 de maio de 2012

Aragmä

 Em um planeta distante, onde todos os seres são de cor púrpura e seus pêlos pubianos feitos de ouro, existia uma criatura muito peculiar. A idade já tomava conta de seu aspecto jovial. Sua pele já estava avermelhada e crespa. Seus pelos já não eram mais dourados e sim cor de prata.
 Ela vivia numa montanha muito alta e gelada (sem neve, só o frio torturante).
 Esquentava seu chá de areia do lago Hugio; - vermelho e brilhante, exatamente como o lago - também chorava, enquanto suas lágrimas caiam sob a chaleira e evaporavam no ar, como um suspiro turquesa.
 Fumava seu cachimbo feito de cedro enquanto as raízes de Mandrágora se carburavam lentamente.
 A janela tremia ao movimento do uivo dos ventos.
 - Por que os sopros estavam tão violentos? - perguntou-se em voz alta. De repente uma voz ativa e quente se instala no ambiente:
 - Inquietos.
 - Inquietos?! Quem disse isso?
 - Eu quis dizer que os sopros estão inquietos. - a voz retruca fervendo.
 - Quem é?! Quem é?! - gritou enquanto segurava um atame feito de chumbo.
 - Como pode se esquecer de mim? - choraminga ironicamente.
 - Bom, eu não lembro de ter convidado ninguém à minha residencia. - a criatura diz enquanto coça a cabeça de um jeito naíve.
 - Eu lhe conheço, Aragmä. Não vai me oferecer um pouco deste chá?
 - Seria maravilhoso se eu pudesse lhe ver, senhor...?
 - Vamos jogar um jogo?!
 - Eu estou começando a ficar amedrontada! - uma sombra toma conta da casa, envolvendo-a em escuridão.
 Dentro da fumaça negra, uma brilhante superfície de marfim se instala em sua frente. Uma capa envolvendo toda aquela alva estrutura é iluminada pela lamina de uma foice. E tudo que restara foram pêlos pubianos feitos de ouro.



Um comentário:

  1. era só pra dar uma olhada mesmo?

    tive saudades disso, de entender o que não é pra ser compreendido -- ou é? --, de conseguir juntar cada pedaço do que parece desconexo... de verdade.

    pra minhas ideias não acho quem as compreenda, mas acho que você as compreenderia, sinto muito ter-te dito o contrário.

    ps: você me disse que ia parar com os alucinógenos hahaha

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